Em período de alta de preços, empresas clandestinas fabricam produtos com impurezas para enganar consumidores
A indústria da torrefação, além de enfrentar os preços recordes do café, que é a principal matéria-prima da produção, se deparou com um novo desafio: a venda de produtos preparados com “sabor café”. O “café fake”, ou seja, misturas de café com impurezas, foi encontrado em supermercados de São Paulo e na região Sul do País. Produzido por empresas clandestinas e com preços muito abaixo dos cafés registrados e certificados, o produto é considerado uma ameaça à saúde do consumidor e à indústria.
O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Celírio Inácio da Silva, explica que a indústria do café iniciou o ano com complicações relacionadas à matéria prima, que, diante da oferta limitada, vem apresentando recordes históricos de preços. Em 2024, por exemplo, o café registrou altas superiores a 116% nos preços e a indústria repassou 37% dessa alta para o mercado final.
Diante da dificuldade de mercado e do encarecimento do café nas gôndolas, a Abic identificou no mercado a venda do pó com sabor café. Inácio ressalta que o produto é comercializado em embalagens similares aos cafés tradicionais encontrados nos supermercados, porém, o pó para preparo de bebida tipo ou sabor café, não é café.
A entidade vê com receio a situação, uma vez que o produto – que não possui registro – pode prejudicar a saúde do consumidor e provocar prejuízos para a indústria da torrefação.
“Sabíamos que este ano não teríamos fôlego, devido à estimativa não positiva da produção de café. No meio do caminho, apareceram algumas empresas querendo surfar na onda dessa dificuldade que o mercado está passando de preços mais elevados. Assim, começaram a inventar esse produto que pode conter resíduos agrícolas, matérias estranhas e impurezas como cascas, palha, folhas, paus ou qualquer parte da planta exceto a semente do café”.
Alerta
Diante do problema, a entidade em parceria com associações supermercadistas, alertou os supermercados e demais varejistas sobre a irregularidade do comércio de misturas ilegais. Há ainda ações em curso junto aos órgãos de defesa agropecuária, vigilância sanitária e proteção ao consumidor.
Para o consumidor, Inácio ressalta que é preciso atenção ao comprar os cafés. É importante avaliar variações de preços muito relevantes e buscar por cafés que tenham o selo de pureza e qualidade da ABIC.
“Além de ser um risco para a saúde da população, o consumo do “café fake” prejudica o desempenho da indústria. Há cinco décadas, a Abic trabalha pela melhoria constante da qualidade do café, fazendo com que o consumidor receba o melhor café, o que é importante para estimular o consumo. A indústria da torrefação tem papel relevante na economia. No ano passado, as vendas de café nos supermercados somaram mais de R$ 36 bilhões, gerando empregos, impostos e benefícios para a economia”.
Preços do café podem subir de 10% a 20% até março
A oferta restrita do grão no mercado tem pressionado os custos da indústria. Conforme o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Celírio Inácio da Silva, é possível que até março, com as recorrentes altas na matéria prima, haja um incremento de 10% a 20% nos preços do café torrado. Diante do cenário, ainda é incerto como será o desempenho do consumo em 2025.
Em 2024, o consumo de café no Brasil cresceu 1,11%. Porém, a alta nos preços da bebida industrializada, que chegou a 37%, ocorreu principalmente nos dois últimos meses do ano.
“Diferente de 2024, 2025 começou em um cenário extremamente atípico. Este é o quarto ano de aumento muito expressivo da matéria prima. A cotação da saca de café vem batendo pdfrecorde nas bolsas, então, há uma pressão na indústria que está com preços defasados. Por isso, há necessidade de ajuste de preço. Diria que até março, há espaço para um aumento entre 10% a 20% nos preços”.
Conforme Inácio, no momento, não é possível definir como ficará o consumo de café em 2025, já que vários fatores poderão interferir. Segundo ele, é preciso avaliar como será a safra do grão, cuja colheita inicia entre abril e maio, e também o consumo mundial. Porém, o cenário é apreensivo.
Fonte: DiarioDoComercio