A Medida do Governo de Zerar Imposto de Importação e os Impactos para o Agro Cearense: Um Tiro no Pé?

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A Medida do Governo de Zerar Imposto de Importação e os Impactos para o Agro Cearense: Um Tiro no Pé?

Na tentativa de conter a inflação e reduzir o custo de alimentos para os consumidores, o governo federal anunciou a isenção do Imposto de Importação para nove produtos essenciais do agronegócio, incluindo milho, carnes, café, açúcar e azeite de oliva. No entanto, essa política pode ter impactos negativos no setor produtivo, especialmente para os agricultores e pecuaristas do Ceará.

Por que essa medida não combate a inflação?

A lógica do governo ao zerar a alíquota de importação é que, com maior oferta de produtos no mercado, os preços cairiam. No entanto, essa estratégia não ataca as verdadeiras causas da inflação no Brasil, que estão muito mais ligadas a fatores como a alta carga tributária, o custo do transporte e da energia, além da falta de investimentos em infraestrutura.

Em vez de trazer um alívio duradouro para os preços dos alimentos, essa medida pode gerar um efeito colateral preocupante: o enfraquecimento da produção nacional, já que os produtores locais terão que competir com produtos estrangeiros muitas vezes subsidiados ou com custos operacionais mais baixos. Isso compromete a competitividade do agronegócio brasileiro e, no médio e longo prazo, pode até reduzir a oferta interna, agravando ainda mais a inflação.

Impactos no agro cearense

O Ceará tem um agronegócio diverso, mas enfrenta desafios estruturais, como períodos de seca, custos elevados de produção e falta de incentivos governamentais adequados. Com a importação de produtos agropecuários mais baratos, os produtores locais podem ser forçados a vender abaixo do custo ou até a abandonar suas atividades.
• Milho: A entrada de milho importado pode desvalorizar a produção local, afetando a renda de agricultores e dificultando a manutenção da cadeia de ração animal.
• Carnes: Com a importação facilitada, a pecuária cearense pode perder mercado, prejudicando criadores de pequeno e médio porte.
• Café e Açúcar: A concorrência com produtos importados pode reduzir a margem de lucro dos produtores locais e desestimular investimentos no setor.

O que realmente precisa ser feito?

Se o governo realmente deseja reduzir a inflação e fortalecer a economia, deveria investir em medidas estruturais, como:
• Redução da carga tributária sobre insumos agrícolas para baratear a produção.
• Melhoria na infraestrutura logística para reduzir custos com transporte e armazenamento.
• Facilitação de crédito rural e incentivos à produção nacional, fortalecendo o agronegócio interno.

Zerar impostos de importação pode parecer um alívio imediato para o consumidor, mas enfraquece o setor produtivo brasileiro e, no longo prazo, pode resultar em uma maior dependência do mercado externo, tornando o país ainda mais vulnerável a crises internacionais e oscilações cambiais.

O agronegócio cearense – e brasileiro como um todo – precisa de apoio para continuar competitivo e garantir a segurança alimentar do país. O que o setor realmente necessita não é da desvalorização de sua produção, mas sim de políticas públicas eficazes que fomentem sua competitividade e sustentabilidade.

 

Fonte: PortalAgroMais

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