Entidade enviou ofício ao Ministério da Agricultura sugerindo a adoção de linhas de crédito emergenciais e renegociação de dívidas.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) enviou ofício ao Ministério da Agricultura solicitando apoio a pecuaristas de corte e de leite. A entidade pede a prorrogação de prazos de pagamento de custeio e investimento, linha de crédito para capital de giro e renegociação de dívidas já vencidas.
Citando dados do Banco Central, a Confederação destaca em nota técnica, que, nos ciclos 2021/22, 2022/23 e nos primeiros meses da temporada 2023/24, os empréstimos em linhas de custeio pecuário somaram R$ 121 bilhões. Os recursos foram usados, principalmente, para aquisição e manutenção de rebanhos.
A CNA defende que o suporte aos pecuaristas é necessário diante da queda dos preços no mercado e do que chama de “corrosão” nas margens da atividade.
“Tais medidas são necessárias para a manutenção da produção de proteínas animais no campo, com vistas a garantir a geração de empregos e divisas no país, evitando a saída de produtores da atividade e a possibilidade de desabastecimento desses alimentos no médio e no longo prazo”, diz a CNA, em nota.
Na nota técnica, a assessoria da entidade ressalta – com base nos indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) – que o preço da arroba do boi gordo caiu 32,1% no acumulado do ano em comparação com 2022. A queda na reposição foi de 29,2% no bezerro e de 27% no boi magro.
“A pressão de baixa é devido ao aumento na oferta de animais, reflexo da retenção de fêmeas como matrizes em 2020 e 2021, acompanhando à alta nos preços dos bezerros e maior atratividade da cria”, informa a Confederação.
Diante do cenário, o pecuarista, com necessidade de compor o caixa da operação, passou a enviar mais matrizes para o descarte. Ao mesmo tempo, a queda na renda da população e a concorrência maior com outras carnes retraiu a demanda pelo produto bovino.
A CNA também pontua que as exportações de carne bovina em volumes e preços médios menores foram outro fator de pressão. E, mesmo que os custos na pecuária tenham caído, em função da queda dos preços de insumos, foi com menos intensidade que a receita do criador de gado.
Segundo a Confederação, foi o pecuarista que acabou sofrendo mais com a baixa no mercado. Enquanto a carcaça casada caiu 17,2% no mercado atacadista em agosto, a arroba do boi gordo teve retração de 29,7%.
“Considerando as expectativas de uma retomada da fase de alta nos preços do boi gordo somente em 2025, quando espera-se uma redução na oferta de animais, é fundamental que seja dado suporte aos produtores nesse momento de baixa do mercado”, argumenta a CNA.
Leite
Em relação à pecuária de leite, a Confederação pontua, na nota técnica, que o aumento dos custos de produção entre 2021 e 2022 deixou produtores descapitalizados. Com isso, os investimentos ficaram limitados, com impacto sobre a captação da matéria-prima.
Esse movimento, de acordo com a CNA, perdurou até o primeiro trimestre deste ano, provocando um certo aquecimento nas cotações. No entanto, essa alta não durou. No segundo trimestre, a captação voltou a crescer e a importações aumentaram.
“Os volumes importados de lácteos pelo Brasil nos primeiros oito meses de 2023, totalizam 1,46 bilhão de litros, maior volume para o período em toda a série histórica. Se mantido o ritmo, o país caminha para renovar o déficit recorde na balança comercial de lácteos, ocorrido em 2016”, diz a CNA.
A entidade ressalta que os países do Mercosul respondem por mais de 97% do leite importado pelo Brasil. E que a Argentina vem aplicando medidas de subsídio à pecuária leiteira, o que gera distorções de mercado e concorrência desleal.
Fonte: Globo Rural